Uma bruxinha, um galo de briga e uma guerra interplanetária
Coisas que tenho visto por aí.
Essa cabecinha rápida de prodígio-científico que deixa tua mãe tão orgulhosa que não para de matraquear: filho, são só espasmos neurais, essas ideias na tua cabeça são só o barulho do teu cérebro em ponto morto, e cabeça ainda é só corpo, Jim. Guarde isso de cor. Cabeça é corpo.
— Dave Foster Wallace
Ano passado, comecei a anotar no Notion livros, séries, filmes… tudo o que eu ia consumindo (itálico irônico) para lembrar no futuro, me ajudar a prestar atenção e, claro, garantir que ninguém ia ficar de fora da lista de melhores do ano. Chamei a lista de “media diet”, que devo ter visto em algum blog gringo por aí.
Até que, em um belo dia de 2026, lembrei de um post de 2025 da Maria Clara Villas onde ela mandou o termo vistos e vividos e morri de vergonha do meu nome careta.
Se este ano eu desejei que você tenha um blog — e logo ele virou o segundo post mais coisado aqui da newsletter — um dos grandes papéis de blogs é o de curadoria. É trazer humanos de volta para o lugar tomado pelos algoritmos.
Muito mais do que um “toma esses links aqui” (incentivado pelo formato do Twitter e redes do tipo), uma curadoria em blog pede um mínimo de explicação de por que aquela coisa mereceu menção. Tem gente que só explica, resume, em uma visão quase jornalística-purista de não se colocar na matéria. Felizmente, não sou jornalista.

Esse é o ano do anime no Brasil aqui em casa. Já teve a segunda temporada de Frieren (minha série favorita de 2023), que é bem mais pacata do que a primeira — e isso é um elogio, não sou do tipo fã de anime que assiste pelas “lutinhas e socão”.
Semana passada começou uma série da mesma linhagem que eu estava ansiosamente aguardando, Witch Hat Atelier, que recebe o maior elogio que um anime pode receber: eu li o mangá. Eu não sou de ler mangá.
É a velha história de “criança aleatória-mas-provavelmente-vamos-descobrir-que-não-é-aleatória-coisa-nenhuma descobre o poder da magia e é levada para uma escola especial onde vai fazer novas amizades e viver altas aventuras com uma turma do barulho”. Tudo lindo, leve e otimista. Sério, eu fiquei muito feliz quando chegou o alerta de que o primeiro episódio estava disponível. Mesmo que você não seja do anime, fica minha efusiva recomendação de conferir essas duas séries.
No sentido oposto, tem Rooster Fighter, que se eu contar a premissa, você vai falar “é o quê, Cristiano?”. Um galo, Keiji, tem superpoderes de luta, que usa para derrotar monstros mutantes gigantes bizarros que aparecem pelo Japão. No caminho, é claro, ele vai encontrar outros galináceos para ajudar na sua saga. O especial dele é ativado pelo grito… “cocoricóóóóóó!!!” (kokekokko). É bem a linha do humor do anime, que pega os códigos super sérios de mangá de luta (poses dramáticas, gritos de golpe, rivalidades intensas) e aplica tudo isso a um galo brigando com monstrengos.
A versão dublada é altamente recomendada, por trazer aquelas referências nacionais como “tá pegando fogo, bicho!”, mas também para podermos saborear diálogos como:
— Espera! Você vai embora?
— Eu sou uma ave migratória.
— Então você só me usou?
— Foi só uma depenadinha de leve.
Não, não para crianças.
Também acabei a segunda temporada de Jujutsu Kaisen (estou atrasado, eu sei) e entendi o hype da série. Loucura mesmo, apesar de gastar tempo demais com lutinha pro meu gosto. Mas é uma “escola de luta”, fazer o quê? (Legado de Naruto?)
Para fechar a lista, também estou vendo o remake de Legend of Galactic Heroes, lançado em 2018 (tem uma versão da época do VHS). Essa vai mais para o lado político-estratégico, narrando o conflito estelar entre 3 nações, uma “Alemanha imperial”, um “EUA democrata-mas-veja-bem” e um terceiro estado planetário que mal apareceu até agora no ponto onde eu estou. A série é baseada em uma série de livros de sucesso e não parte do clichê “império mau, democracia bom”. Em vez disso, prefere perguntar: O que é mais perigoso? Uma democracia com falhas ou uma ditadura perfeita?
Por hoje é só
Obrigado por ler até aqui. Se você curte esse tipo de reflexão sobre criatividade e cultura, nosso Clube de Cultura está prestes a começar um novo livro que… vou revelar esta semana, vai ser bem legal te ver por lá. E se quer usar IA de verdade no trabalho, com visão crítica e sem ser fanboy de bilionário, dá uma olhada no IA em Curso, a comunidade de letramento em IA que eu criei com a Ana Freitas. Por fim, passa no Discord do Boa Noite Internet, que é onde a gente se encontra pra conversar sobre criatividade, cultura, mas na real sobre qualquer coisa que a gente estiver a fim.
Cuidem de si, cuidem dos seus. Até a próxima,
crisdias




