Listão com Cris Dicas em oferta na Semana do Consumidor
Desconto é bom e eu gosto.
Arriscar-se é perder o equilíbrio por um tempo. Mas não arriscar-se é perder-se a si mesmo para sempre.
— Søren Kierkegaard
A Semana do Consumidor não tem o hype da Black Friday, mas desconto é desconto, a gente não olha os dentes. Peneirei aqui as Cris Dicas que estão em promoção — produtos que li e recomendo de verdade, não uma lista gerada por algoritmo de afiliado. Se você comprar a partir desses links, eu ganho uma comissão, e mesmo que não compre, o acesso ao site já pode contar.
Livros do Clube de Cultura
Resista: não faça nada, de Jenny Odell. A primeira parada do nosso Clube de Cultura, lá em 2024, foi um dos livros mais impactantes que já li. Odell fala de economia da atenção e de como a gente internalizou a ideia de que tudo o que fazemos precisa “gerar valor” — daí o “não faça nada” do título.
Nexus: Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial, do Yuvão da Massa, com 58% de desconto no Kindle. Quem acompanhou o Clube lembra que foi uma leitura densa, cheia de debate. Harari monta um argumento sobre como redes de informação — de fofoca tribal a algoritmos — sempre definiram quem tem poder e quem obedece. Se você leu Sapiens e quer entender o que ele pensa sobre a IA que está aí agora, é este.
Nação dopamina, da Dra. Anna Lembke, com selinho da Semana do Consumidor. Você vai continuar com vício em tela, mas pelo menos agora vai entender o porquê. Lembke é psiquiatra especializada em vícios e mostra como vivemos numa economia que hackeia nosso sistema de recompensa — aquela gangorra entre prazer e sofrimento que, uma vez que a gente entende, não consegue mais desver.
Quatro mil semanas: Gestão de tempo para mortais, de Oliver Burkeman, outro com selinho da Semana do Consumidor. Um livro antiprodutividade e antiautoajuda. Se temos aí 80 anos de vida — as tais 4 mil semanas — nenhum app de produtividade vai resolver o fato de que nunca vai ser tempo suficiente. O livro não dá um método, só nos convence de que a pergunta é outra.
A sociedade do espetáculo, de Guy Debord. Um livro de 1967 que parece escrito ontem — a vida virou representação, não vivemos as experiências, contemplamos a imagem delas. Tá tudo lá. O Clube passou por ele recentemente e a conversa foi das melhores que já tivemos.
O poder do hábito, de Charles Duhigg. Acabamos de passar por ele no Clube e foi uma leitura que rendeu bastante conversa.
E pra quem está no Clube agora ou planeja entrar: Pense de novo, do Adam Grant, é a temporada atual — e também está em promoção.
Novidades que valem o clique
A próxima onda: Inteligência artificial, poder e o maior dilema do século XXI, com 55% de desconto. Mustafa Suleyman cofundou o DeepMind, está no centro de tudo o que acontece com IA, e defende que a tecnologia que estamos construindo vai ser imparável — a pergunta que importa é quem vai controlá-la. Para outras dicas de livros sobre IA, veja essa lista que fiz no fim do ano.
Tecnofeudalismo: O que matou o capitalismo, de Yanis Varoufakis, com selinho da Semana do Consumidor. A tese é que o capitalismo como a gente conhecia já morreu, substituído por um feudalismo digital onde Big Techs são os novos senhores e a gente trabalha de graça em troca de conveniência. É o tipo de livro que muda como a gente vê o feed — não necessariamente de forma confortável. (Talvez a próxima parada do Clube? Pode ser, me diz o que você achou.)
Ficção
Tress, a garota do Mar Esmeralda, do Brandon Sanderson, com selinho da Semana do Consumidor. Sanderson escreveu em segredo durante a pandemia e o resultado é uma aventura otimista que lembra contos de fadas, mas com o worldbuilding que só ele faz. Se Cosmere ainda não significa nada pra você, este é o melhor ponto de entrada. Meu livro do ano de 2023, lê lá o que eu achei.
Norwegian Wood, do Haruki Murakami, também com selo da Semana do Consumidor. O Murakami mais acessível e provavelmente o mais bonito. Triste que só. Uma história de amor, luto e juventude no Japão dos anos 1960 que não é o realismo fantástico famoso de Murakami — só pessoas tentando não se perder.
1Q84 — livro 1, também do Murakami, com selo da Semana do Consumidor. Li faz uns dez anos e até hoje passa pela minha cabeça e me dá vontade de reler. É o Murakami no modo mais ambicioso — um Japão paralelo, duas histórias que vão se cruzando, e aquela sensação constante de que tem algo errado com o mundo que só você percebeu. E spoiler, pra não gerar frustrações, no fim ele não “explica” o porquê daquele mundo diferente do nosso. Só é.
Herdeiros do tempo, de Adrian Tchaikovsky. Ele contou numa entrevista que a pergunta que o motivou a escrever o livro foi “será que eu consigo fazer as pessoas se importarem com aranhas?”. Conseguiu. É ficção científica, tem naves e colonização espacial, mas o coração do livro é uma civilização de aranhas que vai se formando ao longo de gerações — e a gente torce por elas.
A biblioteca dos sonhos secretos: Uma história sobre a magia dos livros e seu poder de conectar pessoas, de Michiko Aoyama. Um livro fofo, uma história leve — com um pouco de autoajuda? Talvez, mas tudo bem. Livrinho aconchegante para ler em um fim de semana e sair achando que tudo vai ficar bem.
Tem mais coisa em oferta? Claro. Mas aqui já tem bastante pra garimpar nessa Semana do Consumidor. Se comprar alguma coisa, obrigado pela confiança. E se lembrar de alguma Cris Dica que esqueci, avisa.
Por hoje é só
Obrigado por ler até aqui. Se você curte esse tipo de reflexão sobre criatividade e cultura, nosso Clube de Cultura está lendo Pense de Novo, do Adam Grant, vai ser bem legal te ver por lá. E se quer usar IA de verdade no trabalho, com visão crítica e sem ser fanboy de bilionário, dá uma olhada no IA em Curso, a comunidade de letramento em IA que criei com a Ana Freitas. Por fim, passa no Discord do Boa Noite Internet, que é onde a gente se encontra pra conversar sobre criatividade, cultura, mas na real sobre qualquer coisa que a gente estiver a fim.
Cuidem de si, cuidem dos seus. Até a próxima,
crisdias



