Pense de Novo — a próxima parada Clube de Cultura do Boa Noite Internet
A difícil arte de estar errado.
O progresso sem mudança é impossível, e quem não consegue mudar a própria mente não consegue mudar nada.
— Adam Grant
Quando foi a última vez que você mudou de ideia?
Mas não qualquer ideia, não vale o que vai comer no almoço ou qual série assistir. Quando você mudou de ideia sobre trabalho, sobre política, sobre o que vale a pena na vida?
Se você precisou de tempo demais para lembrar… relaxa. Você e todo mundo. A gente troca o modelo do telefone, muda de emprego ou de cidade — mas passa décadas agarrado nas mesmas opiniões, mesmo quando as evidências apontam pra outro lado. Psicólogos têm um nome para isso: “apreender e congelar”. A gente pega uma opinião e pronto, assunto encerrado. E depois zoa quem usa o mesmo corte de cabelo há anos.
É disso que Adam Grant fala em Pense de Novo — a próxima parada do Clube de Cultura do Boa Noite Internet.
Grant é psicólogo organizacional na Wharton School — a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia —, apresentador do podcast WorkLife (que gosto muito) e autor de cinco best-sellers do New York Times. Todo contato que tive pessoalmente com ele foi ver uma palestra em uma já distante convenção de vendas do Facebook e saí de lá convencido de que é um cara muito gente fina. Pense de novo (no original, Think Again) é provavelmente o mais ambicioso dos seus livros, e defende que a habilidade mais importante do nosso tempo não é pensar, é repensar.
O argumento central é de que, quando discutimos ou formamos opinião, operamos em três modos: pastor (pregando nossas crenças), advogado (derrubando argumentos alheios) e político (buscando aprovação). Nenhum desses modos ajuda a chegar mais perto da verdade. O que ajuda é um quarto modo, o de cientista: formular hipóteses, testar, e aceitar quando o resultado não é o que a gente esperava.
Após passarmos pela mecânica dos hábitos com Charles Duhigg e pela sociedade do espetáculo de Guy Debord, chegou a hora das ideias que carregamos sem nem questionar — os julgamentos que fizemos anos atrás e nunca revisamos, e a dificuldade quase física de admitir que estávamos errados.
O livro se organiza em três partes: como repensar individualmente, como ajudar outras pessoas a repensar e como criar culturas que incentivem o repensamento. São 11 capítulos em seis semanas.
Agenda
Semana 1 — 27 de fevereiro
Prólogo + Capítulo 1 (~40 páginas)
Prólogo — Em 1949, 15 bombeiros saltaram de paraquedas em Montana para combater um incêndio florestal. Minutos depois, 12 estavam mortos. O líder do grupo sobreviveu porque inventou uma técnica no calor do momento que ninguém tinha visto antes — uma que exigia abandonar tudo que ele sabia sobre combate a incêndio. Grant usa essa história para abrir a pergunta que sustenta o livro inteiro: por que é tão difícil largar uma ferramenta que já não funciona?
Capítulo 1: Um pastor, um advogado, um político e um cientista entram na sua cabeça — A ascensão e queda da BlackBerry: como Mike Lazaridis saiu de dominar metade do mercado de smartphones para desaparecer em poucos anos. Grant apresenta os quatro modos de pensar e defende que o modo cientista é o que nos salva de virar a próxima BlackBerry.
Semana 2 — 6 de março
Capítulos 2–3 (~55 páginas)
Capítulo 2: O jogador de araque e o impostor — Uma mulher que ficou cega, mas não percebeu. O efeito Dunning-Kruger (quando a incompetência gera confiança) e a síndrome do impostor (quando a competência gera dúvida). Grant conta a história de Halla Tómasdóttir, que concorreu à presidência da Islândia achando que não merecia — e de Davíð Oddsson, que quebrou a economia do país achando que merecia.
Capítulo 3: A alegria de estar errado — Um psicólogo de Harvard nos anos 1950 colocou alunos para ter suas crenças atacadas por estudantes de direito treinados para ser agressivos. A maioria ficou traumatizada. Alguns adoraram. O que diferencia essas pessoas, e o que a gente pode aprender com elas?
Semana 3 — 13 de março
Capítulos 4–5 (~50 páginas)
Capítulo 4: O clube da luta positivo — Wilbur e Orville Wright brigavam muito, mas do jeito certo. A diferença entre conflito pessoal (que destrói) e conflito funcional (que constrói). Equipes no Vale do Silício que discordam desde o primeiro dia têm desempenho melhor do que as que fingem harmonia.
Capítulo 5: Dançando com o inimigo — Harish Natarajan, recordista mundial de vitórias em debates, enfrenta uma adversária formidável numa discussão sobre educação infantil. O que faz alguém vencer um argumento não é ter mais dados — é reconhecer os pontos válidos do outro lado.
Semana 4 — 20 de março
Capítulos 6–7 (~50 páginas)
Capítulo 6: Intrigas no meio de campo — Daryl Davis é um músico negro que convenceu mais de 200 membros da Ku Klux Klan a abandonar o grupo. Como? Sentando para conversar. Grant usa a história dele para examinar como estereótipos se formam e como podem ser desfeitos — um de cada vez.
Capítulo 7: Encantadores de vacinas e interrogadores simpáticos — Marie-Hélène não vacinava os filhos. Seus médicos já tinham tentado de tudo: dados, argumentos, medo. Nada funcionava. Até que um médico resolveu parar de falar e começar a perguntar. Grant apresenta a entrevista motivacional, uma técnica que não tenta convencer ninguém, mas ajuda as pessoas a encontrar suas próprias razões para mudar.
Semana 5 — 27 de março
Capítulos 8–9 (~50 páginas)
Capítulo 8: Conversas pesadas — No Laboratório de Conversas Difíceis da Universidade Columbia, pesquisadores colocaram defensores de posições opostas sobre aborto para assinar uma declaração conjunta em 20 minutos. Não funcionou mostrando os dois lados da questão, mas apresentando o tema como um problema com muito mais do que dois lados.
Capítulo 9: Reescrevendo o livro-texto — Uma professora de Milwaukee distribui livros didáticos de 1940 para os alunos de propósito. Quando eles percebem os erros e as omissões, começam a questionar os livros atuais também. A melhor educação não é a que transmite conhecimento, é a que ensina a duvidar dele.
Semana 6 — 3 de abril
Capítulos 10–11 + Ações de Impacto (~50 páginas + encerramento)
Capítulo 10: Nem sempre fizemos assim — Em 2013, o astronauta italiano Luca Parmitano quase se afogou dentro do capacete durante uma caminhada espacial. A NASA não percebeu o problema a tempo porque ele já tinha acontecido antes sem consequências — e ninguém repensou o diagnóstico. Do Challenger ao Columbia, Grant mostra como organizações que param de questionar suas certezas acabam pagando o preço mais alto.
Capítulo 11: Evitando a visão em túnel — O primo de Grant passou 15 anos se tornando neurocirurgião. Hoje, diz que escolheria outro caminho. Um capítulo sobre como planos de vida viram armadilhas — o GPS que te leva direitinho ao destino errado.
Encerramento: Ações de Impacto — Grant fecha o livro com 30 dicas para incorporar o repensamento na rotina. Vamos comentar as que funcionam, questionar as que parecem fáceis demais e fechar com um infográfico.
Como funciona o clube
Para quem está chegando agora: toda sexta-feira publico resumos comentados dos capítulos da semana, conectando as ideias do livro com tudo isso que está aí no mundo — desinformação, bolhas, IA, polarização, a dificuldade de conversar com quem pensa diferente. Quem não conseguiu ler pode acompanhar pela conversa. E a melhor parte acontece nos comentários, onde as teorias de Grant enfrentam o teste da realidade (o nosso).
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Nos vemos sexta?
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Foto de Sarah Sheedy na Unsplash



