📙 O satisfatório que não satisfaz
Resumo comentado de "Tudo que é sólido se desmancha em relações públicas: stalinismo de mercado e antiprodução burocrática", capítulo 6 de "Realismo capitalista".
Não é preciso considerar tudo como verdade, é preciso apenas considerá-lo necessário.
— Franz Kafka
O neoliberalismo chegou ao poder prometendo nos livrar da burocracia do Estado pesado, mas acabou entregando mais papelada do que a União Soviética. Neste capítulo, Mark Fisher mostra como uma coisa levou à outra e, de quebra, explica por que a Tesla vale onze BYDs, mesmo vendendo menos carros elétricos. Spoiler: é tudo relações públicas.
No post de abertura de Realismo capitalista, falamos de Como enlouquecer seu chefe, filme de 1999 dirigido por Mike Judge (criador de Beavis and Butt-Head). A personagem de Jennifer Aniston trabalha como garçonete num restaurante tipo Applebee’s que exige um mínimo de quinze enfeites no uniforme, para que cada funcionário “demonstre individualidade”. Tá bom, se é assim, ela usa os quinze… e leva bronca, porque outro colega usa trinta e sete.1
Assim é a vida corporativa. Receber “satisfatório” numa avaliação de desempenho parece bom até você descobrir, não muito tempo depois, que satisfatório não satisfaz. Fisher conta que, nos seus tempos de professor, quem fosse avaliado assim era mandado para um curso de aperfeiçoamento antes da inspeção seguinte. É preciso mais do que produzir, temos que entrar na “cultura da empresa”.
Hoje em dia, os trabalhadores recebem demandas não só produtivas, mas também afetivas.




