6 Comentários
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Avatar de Marcos Lupp

Boa noite Cris, boa noite Brasil....

Primeiramente, obrigado pela versão grátis :)

Eu gostaria de comentar não só esse texto, mas toda a sua obra desde o "você não é o seu crachá".

Minha visão sobre o trabalho, carreira, capitalismo mudou bastante nos últimos dois anos. Se tem algo que me irrita profundamente é a fixação por esse negócio de profissão. Ontem mesmo fui doar sangue, e lá está escrito engenheiro. Outro dia fui fazer minha carteirinha na biblioteca pública da cidade e no formulário on-line coloquei pai da Maitê como profissão. Minha carteirinha foi negada até que eu colocasse algo aceitável.

Talvez se eu tivesse um ofício, essa questão não me incomodaria tanto. O meu trabalho ajudaria a compor o que eu sou. Ser um padeiro que observa que o dia acordou com neblina, logo, alguma coisa vai ser feita diferente no preparo da massa. Ou um locutor de rádio que passa anos refinando o tom, buscando um bordão.

Mas não, eu só mando emails e participo de reuniões. O tal do trabalho inútil.

Eu estou atualmente desempregado. A firma que trabalhei os últimos 11 anos me demitiu, e ainda bem, porque eu queria sair. Mas em algum lugar, essas reflexões devem ter colaborado para esse fim de ciclo (que é o termo que estou usando nas entrevistas).

Na firma que eu estava, cheguei nos cargos de gestão, e depois de um tempo eu comecei a me achar muito diferente, e talvez até desejar ter a mesma visão corporativa dos demais.

Algo parecido com a minha relação com a religião. Eu sou ateu, mas não é por escolha, quem me dera ter algo para me ancorar quando o sentimento de impotência vem, quando de fato somos só passageiros em alguma situação. Juro, se eu pudesse acreditar em algo, eu acreditaria.

Com o trabalho é o mesmo. Se eu pudesse acreditar que aquele trabalho é útil, que o desejo de ter mais, é consciente, e que a nossa empresa é melhor que a do concorrente, eu faria. Preferiria estar no mundo deles.

Eu falei que estou fazendo entrevistas né? Imagina ficar respondendo qual é o meu sonho profissionalmente? E como eu me vejo em 5 anos? Cara, eu não tenho sonho, eu sei que eu preciso trabalhar, e eu preciso de dinheiro. Adoraria explorar minhas paixões artísticas, mas eu falei que sou o pai da Maitê, então não dá pra ficar recomeçando, e tudo bem. Me dá um dinheiro aí que eu fico daqui lidando com essa negócio de criticar esse mundo e ter que viver nele. Afinal a gente consegue imaginar o fim do mundo mas não o fim do capitalismo, né?

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Que texto com um monte de coisas e sem fechamento.

Obrigado e parabéns pelo seu trabalho Cris, gosto, acompanho, indico e levo coisas daqui para as pessoas que dividem essa jornada comigo. Um abraço.

Avatar de crisdias

Talvez a IA faça mais e mais gente ver que nossos trabalhos acabam sendo "bullshit jobs". Se for possível automatizar pra uma máquina, será que ele é tão especial assim? (Não sei se isso é bom ou ruim, é claro.)

Avatar de João Dobbin

Belo comentário e me identifico 200%. Atualmente sou bem empregado, mas parece-me que cheguei ao auge do teatro e está difícil sustentar a mentira no dia a dia. Para piorar, sou um executivo, então tenho que dançar conforme a música ainda mais.

Avatar de Evelyn

Avaliação de desempenho é uma perda de tempo enorme, e quando não é inócua, serve para azedar o ambiente de trabalho ou reforçar situações que beiram o assédio moral. Convivo com três sistemas conflitantes de avaliação de desempenho para o mesmíssimo trabalho, e nenhum deles nunca contribuiu de maneira positiva para nada do que eu ou a equipe fazemos. Tudo isso pra me solidarizar com o ódio do Cris, tamojunto!

Avatar de Jelaida

Eu soube da firma q eu trabalho que os gerentes nunca deve colocar “exceed the expectations”

Ai eu fiquei, pra que então existe essa merda? 🤡

Avatar de crisdias

Para parecer que são justos. 🤡