📙 Sua mente é um instrumento de medição
Resumo comentado de “Questões de julgamento”, capítulo 3 de “Ruído: Porque tomamos más decisões e como podemos evitá-lo”.
Quem somos nós pra julgar, não é mesmo?
— Nós, julgando
Aqui começa a Parte II do Ruído. Até agora vimos onde o ruído aparece, em sentenças judiciais, seguros ou até em decisões singulares. Neste capítulo, Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass Sunstein vão explicar como formamos julgamentos. E, sem querer, vão acabar explicando também por que caímos tanto nas alucinações das IAs.
Começamos com ferramentas. Medir o comprimento de um tapete em centímetros com uma fita métrica ou medir a temperatura ambiente em graus Celsius com um termômetro. Medir nada mais é do que usar um instrumento para atribuir um valor numa escala. A régua e o termômetro são instrumentos físicos, e o número que sai deles é sempre uma aproximação da verdade, com algum erro embutido. Toda medição tem erro — e, muitas vezes, tá tudo bem. Por exemplo, anos atrás pedi dicas a um amigo cozinheiro para equipar minha cozinha e reclamei que minha balança não era das mais precisas. Ele riu: “Tudo bem, Cris, você vai fazer pão, não metanfetamina.”
Julgar funciona do mesmo jeito que medir o tapete da sala e fazer pão, só muda a régua. Quando um juiz determina o tempo de prisão ou um corretor de seguros está precificando uma apólice, estão atribuindo um valor numa escala numérica, exatamente como quem lê o número numa régua. Quando um médico dá um diagnóstico, mesmo que a escala seja qualitativa (“melanoma avançado”, “cirurgia recomendada”), também está fazendo a mesma coisa. A diferença é que o instrumento aqui é a mente humana. E, assim como a minha balança, que está lá até hoje, ela tem precisão limitada. Vai sempre haver erro, parte viés, parte ruído.




