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📙 Starbucks e o hábito do sucesso — Quando a força de vontade se torna automática

Resumo comentado de "O poder do hábito", capítulo 5.

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crisdias
jan 24, 2026
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Sempre rir, sempre rir. Pra viver é melhor sempre rir.
— Bozo

Por que algumas pessoas conseguem manter o autocontrole diante de qualquer adversidade, enquanto outras explodem na primeira provocação? A força de vontade é um dom que alguns têm e outros não, uma habilidade que se aprende como andar de bicicleta, ou algo completamente diferente? Por que conseguimos ser disciplinados em alguns dias e em outros cedemos à primeira tentação? E como uma certa rede de cafeterias consegue transformar pessoas que não conseguiam manter emprego em gerentes de sucesso?

Cá entre nós, este capítulo é uma desgraça pessoal. Quem lembra do começo dessa edição do clube sabe que vendi O poder do hábito com a ideia de que “não é força de vontade, é método”. Pois cá estamos em um capítulo dedicado, justamente, à força de vontade. Até aí tudo bem! Só que uma parte importante do argumento de Charles Douhigg é que desenvolver força de vontade exige trabalhar com planejamento, listas e metas. Mas eu sou um espírito livre! Não quero regras nem listas, quero fazer o que meu sentimento e minha arte me levarem. Aí vem um jornalistazeco dizendo que preciso ser organizado? E defende isso usando ciência? Francamente.

Brincadeirinha, kkkkrying…

O poder é de vocês

Travis Leach cresceu em Lodi, na Califórnia, filho de pais viciados em heroína. Aos 9 anos, já sabia o protocolo para quando o pai sofria uma overdose. A mãe passava temporadas na prisão. Travis aprendeu cedo que “não há caos no fim de um barato de heroína”, que a casa bagunçada e os pais sonolentos no sofá significavam segurança, enquanto a limpeza obsessiva era sinal de anfetamina e problemas à vista.

Aos 16 anos, Travis largou a escola. Conseguiu emprego num lava-rápido, foi demitido por insubordinação. Trabalhou no McDonald’s e na Hollywood Video, mas quando clientes eram mal-educados, perdia o controle. Uma vez, jogou nuggets no carro de uma cliente. Também chorava no meio do expediente quando encontrava dificuldades, gritava para si mesmo no espelho de manhã, mandando a imagem ser uma pessoa melhor. É só força de vontade, é só querer. Não era.

Agora, aos 25 anos no momento da entrevista, Travis é gerente de duas lojas da Starbucks. Supervisiona quarenta funcionários e é responsável por mais de 2 milhões de dólares em faturamento anual. Nunca chega atrasado nem se irrita no trabalho. O que mudou?

Durante décadas, psicólogos trataram a força de vontade como uma habilidade que se pode aprender. O famoso experimento do marshmallow, feito em Stanford nos anos 1960, mostrou que crianças de 4 anos que conseguiam esperar 15 minutos para ganhar dois marshmallows em vez de comer um imediatamente, anos depois acabavam com notas melhores, resultados superiores no “Enem estadunidense” e menos problemas com drogas. Daí a conclusão de que, se você ensina autocontrole às crianças, elas terão vantagem na vida.

Mark Muraven, então doutorando na Case Western Reserve University, não estava satisfeito com essa explicação. Uma habilidade, por definição, é uma coisa que permanece constante de um dia para o outro. Quem sabe fazer um omelete na quarta-feira ainda sabe na sexta. Mas a força de vontade não funciona assim. Havia dias em que Muraven voltava do trabalho e saía para uma corrida sem dificuldade. Em outros, não conseguia sair do sofá.

Ele e seus colegas criaram, então, uma “versão adulta” do estudo do marshmallow. Estudantes famintos entravam numa sala com duas tigelas, uma de cookies recém-assados, outra com lindos… rabanetes. Metade foi instruída a comer os cookies e ignorar os rabanetes. A outra metade, a comer os rabanetes e ignorar os cookies. Depois, todos recebiam um quebra-cabeça para resolver. A pegadinha era que o quebra-cabeças era impossível.

Os comedores de cookies, com seus estoques de autodisciplina intactos, trabalharam por quase 19 minutos antes de desistir. Os comedores de rabanete, que tinham gastado força de vontade resistindo aos cookies, duraram apenas 8 minutos. Um deles, quando perguntado como se sentia, respondeu que estava “cansado dessa experiência imbecil”.

“Fazendo as pessoas usarem parte de sua força de vontade para ignorar os cookies, nós as tínhamos colocado num estado em que estavam dispostas a desistir muito mais rápido”, Muraven me disse. “Já houve mais de duzentos estudos sobre essa ideia desde então, e todos concluíram a mesma coisa. Força de vontade não é só uma habilidade. É um músculo, como os músculos dos seus braços ou pernas, e ela fica cansada quando faz mais esforço, por isso sobra menos força para outras coisas.”

Muraven e sua equipe foram os primeiros a descrever o fenômeno que hoje chamamos de ego depletion (esgotamento do ego).

Fazer exercício para ter força de vontade para fazer exercício

Se a força de vontade funciona como músculo, então talvez possa ser malhada.

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