📙 Parece que temos aqui um Xeroque Rolmes
Resumo comentado de “Sequenciando informações na ciência forense”, capítulo 20 de “Ruído: Porque tomamos más decisões e como podemos evitá-lo”.
O ruído pode ser um problema invisível até para pessoas cujo trabalho é enxergar o invisível.
Em maio de 2004, o FBI prendeu um advogado do Oregon chamado Brandon Mayfield pelos atentados a bomba que mataram 192 pessoas nos trens de Madri dois meses antes. Contra ele só havia uma prova, mas era uma baita prova: uma impressão digital num saco plástico encontrado na cena do crime, que o laboratório do FBI apontou como dele, com 100% de certeza. Mayfield era o suspeito perfeito, um ex-militar, convertido ao islã, que já tinha defendido réus ligados ao Talibã e, por tudo isso, estava numa lista de observação das polícias. Só que ele não saía dos Estados Unidos havia uma década, e, no fim, a digital não era dele. Os peritos espanhóis bateram a mesma marca com a de um argelino. Duas semanas depois, Mayfield foi solto, o governo pediu desculpas e pagou 2 milhões de dólares. A conclusão oficial sobre o vexame, após uma investigação inteira, foi que houve “uma falha humana, não de metodologia ou tecnologia”. Pelo menos não botaram a culpa no estagiário.
No capítulo 20 de Ruído, vamos ver por que há viés até na impressão digital, a dimensão do erro que se esconde atrás da fama de “prova perfeita” e a solução simples que os laboratórios forenses acabaram adotando para se proteger.




