Se você trabalha com comunicação, já deve ter ouvido o termo “Propriedade intelectual” umas quinze vezes só nesta semana. Tudo agora quer virar uma ai pi — o podcast vira IP, o personagem vira IP, a webserie vira IP. Só que entre jogar o termo num slide bonito e entender o que ele realmente significa (e o que fazer com isso), tem um longo caminho.
No É Sobre Isso 25, eu, Gaia Passarelli e Gui Pinheiro sentamos para tentar entender o que isso significa na prática, sem chuva de buzzwords. O Gui sacou seu diploma de direito, eu trouxe minha camiseta do Star Wars homenageando minha IP favorita, e a Gaia contou a história de quando quase perdeu o nome “Tá Todo Mundo Tentando” para uma conhecida simpática e cheia de boas intenções.
Também passamos por J.K. Rowling vendendo tudo da marca Harry Potter menos a autoria, pelo Bill Watterson que nunca licenciou nada do Calvin e Haroldo, pela Kim Kardashian querendo registrar “Kimono” e pelo Chuck Palahniuk lembrando ao Joe Rogan que foi ele quem botou “floquinho de neve” na cultura.
Mas o que mais rendeu foi a ideia de que a marca precisa parar de pensar como anunciante e começar a pensar como creator. Em vez de comprar um quadro uma prova de gosto duvidoso em reality show, aqui a gente acredita que ela deve ter o seu próprio terreno — um podcast, um evento, um canal, uma comunidade. Red Bull com (duas!!!) equipes de Fórmula 1 e times de futebol, RD Summit fazendo as pessoas pagarem ingresso para um evento que divulga um CRM, Guaraná Antarctica com um canal de YouTube que virou linha de receita, a 99 criando seis temporadas de podcast para seus motoristas parceiros. E no meio de tudo, a BBC que transformou seu boletim marítimo — sim, previsão de marés — num podcast para insônia narrado pelo vocalista do Pulp.
Se você trabalha com comunicação e ainda acha que propriedade intelectual é só registrar um nome no INPI, esse episódio vai bagunçar seus planos — do jeito bom. Aperta o play.


