Sem comunidade não há libertação, apenas o armistício mais vulnerável e temporário entre um indivíduo e sua opressão.
— Audre Lorde
Para Mark Fisher, nenhum fator pesou mais na consolidação do realismo capitalista na vida das pessoas comuns do que o declínio dos sindicatos. Essa é a tese de mais um texto extra que repete bastante do que o livro já disse. O ensaio saiu no jornal britânico Weekly Worker em novembro de 2012, três anos depois de Realismo capitalista, e chegou ao Brasil em 2020, numa tradução da Jacobin Brasil.
Como já vimos, o realismo capitalista é a crença de que o capitalismo é o único sistema viável — o velho “não há alternativa” de Margaret Thatcher. Todo mundo despreza os banqueiros, todo mundo se horroriza com a pilhagem e a evasão fiscal, e mesmo assim fica aquele sentimento de que não dá para fazer nada. Para Fisher, esse sentimento cresceu porque não existe mais um agente mediador entre o que as pessoas sentem e sua capacidade de organização. Sem esse agente coletivo, o descontentamento fica trancado em cada indivíduo — e vira depressão, a privatização do estresse que o livro descreveu.
No passado, se seu salário e condições de trabalho piorassem, você poderia ir a um sindicato e se organizar, enquanto agora, se o estresse no trabalho aumentar, somos encorajados a enxergá-lo como um problema unicamente nosso, privado, e a lidar com ele individualmente. Somos obrigados a lidar com esse sofrimento por meio de automedicação, antidepressivos (cada vez mais amplamente prescritos), ou, se tivermos sorte, com terapia.




