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📙 Não gosto disso e não acredito nisso

Resumo comentado de “Heurísticas, vieses e ruído”, capítulo 13 de “Ruído: Porque tomamos más decisões e como podemos evitá-lo”.

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crisdias
mai 29, 2026
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A heurística para responder a uma pergunta difícil é encontrar a resposta para uma mais fácil.

Os mesmos atalhos mentais que entortam o julgamento de todo mundo na mesma direção também conseguem espalhar os julgamentos em direções diferentes. Tudo que produz viés, portanto, também produz ruído. É essa a ideia que dá nome ao capítulo 13 e abre a Parte IV de Ruído, o ponto em que Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass R. Sunstein param de medir o ruído e investigam a maquinaria mental por trás dele. Após doze capítulos mostrando onde o ruído se esconde e quanto custa, a pergunta passa a ser: de onde ele vem? A resposta é psicológica e está nas heurísticas e nos vieses, o território que rendeu a Kahneman o Nobel e que ele já tinha condensado em Rápido e devagar.

Quando encontra uma pergunta difícil, a mente não trava nem pensa muito — não fica gastando energia (calorias mesmo). Ela troca a pergunta por uma mais fácil e responde a essa, sem avisar ninguém, nem a si mesma.

O livro traz mais um exercício mental para explicar como isso funciona. Bill tem 33 anos, é inteligente, mas pouco criativo, meio compulsivo, era bom em matemática na escola e fraco em humanidades (praticamente uma letra do Legião Urbana). Sabendo disso, qual a profissão de Bill? E o que é mais provável, que ele toque jazz nas horas vagas ou que seja contador e toque jazz nas horas vagas? Quase todo mundo aposta na segunda. E quase todo mundo erra, porque acrescentar um detalhe a uma descrição só pode torná-la menos provável, nunca mais provável. É o gráfico de intersecção da escola. Nem todo jazzista é contador, mas pensar nesse detalhe dá mais trabalho, não é coisa do Sistema 1.

O que aconteceu é que a mente respondeu a uma pergunta que não foi feita. Em vez de “qual é mais provável?”, ela respondeu “Bill tem pinta de contador?”. Semelhança é fácil de avaliar, probabilidade dá trabalho, então a mais fácil ganha. Os autores chamam isso de substituição.

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