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📙 Manual prático de caça a zumbis corporativos

Resumo comentado do texto "Como matar um zumbi: elaborando estratégias para o fim do neoliberalismo", de "Realismo capitalista".

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crisdias
ago 28, 2026
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Conheçam o novo chefe
Igual ao antigo chefe
— Pete Townshend

O neoliberalismo quebrou em 2008 e, ainda assim, continua no comando até hoje. Para Mark Fisher, isso aconteceu porque o sistema virou um zumbi — e, como todo fã de filme de terror sabe, matar um zumbi dá mais trabalho do que matar uma pessoa viva.

Lembrando que este não é um capítulo original do livro. “Como matar um zumbi” saiu em julho de 2013 no site openDemocracy, quando as consequências sociais da crise já estavam bem mais claras — mas ainda faltavam três anos para a eleição de Donald Trump. Entrou na edição brasileira como texto extra, traduzido por Victor Marques, e funciona como um resumo da visão do realismo capitalista. Diferente do que vimos no “original” do livro de 2009, que diagnostica muito e receita pouco, aqui Fisher apresenta ideias de solução.

Por que a esquerda tem feito tão pouco progresso, cinco anos após uma grande crise do capitalismo ter desacreditado o neoliberalismo?

Eu também queria saber, meu amigo Mark… Eu também queria saber.

Milton Friedman, o economista favorito do neoliberalismo, dizia que apenas uma crise, real ou assim percebida, produz mudança de verdade — e que, quando ela chega, o que acontece depende das ideias “circulando por aí”. Cabia a ele e aos economistas do seu campo desenvolver alternativas às políticas existentes e mantê-las vivas “até que o politicamente impossível se torne politicamente inevitável”. A receita funcionou tão bem que sobreviveu ao próprio desastre. A crise de 2008 foi causada por políticas neoliberais, e, mesmo assim, elas seguiram sendo praticamente as únicas ideias “circulando por aí”. O impossível continuou impossível, o inevitável continuou inevitável.

O neoliberalismo pode não ter tido sucesso em se fazer mais atrativo do que outros sistemas, mas conseguiu se vender como o único modo “realista” de governo

O truque nunca foi convencer o mundo de que o sistema é bom, foi convencer de que é o único possível, um “realismo” que Fisher trata como conquista política, uma realidade modelada nas práticas e premissas do mundo dos negócios. Aquela constante aceitação de que o salário vai estagnar e as condições de vida vão piorar — então melhor aceitar o que temos — já é o realismo capitalista operando.

O realismo capitalista tem sido vendido para nós por gerentes (muitos dos quais se veem como pessoas de esquerda) que nos dizem que os tempos agora são outros. A era da classe trabalhadora organizada acabou; o poder sindical está recuando; as empresas agora dão as cartas, e temos que entrar na linha.

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