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📙 IA ou não IA, eis a questão

Resumo comentado de “Regras sem ruĂ­do”, capĂ­tulo 10 de “RuĂ­do: Porque tomamos mĂĄs decisĂ”es e como podemos evitĂĄ-lo”.

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crisdias
mai 22, 2026
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A necessidade do poder é óbvia, porque a vida não pode ser vivida sem ordem; mas a atribuição do poder é arbitråria porque todos os homens são iguais, ou quase.
— Simone Weil

No capítulo passado, vimos que uma planilha båsica, com pesos arbitrårios, costuma prever o desempenho de uma pessoa melhor do que um especialista que estudou anos para fazer aquele julgamento. O capítulo 10 pega essa visão e dobra a meta. Se a média ponderada jå bate o doutor, o que mais bate o doutor? E o que acontece quando a gente, em vez de simplificar, complica o modelo até o limite do que o computador aguenta?

Antes de seguir, vale destrinchar uma palavra que vamos usar muito hoje. Algoritmo, fora das redes sociais, nĂŁo Ă© essa entidade mĂ­stica que amamos odiar, sĂł quer dizer “receita”, uma sequĂȘncia de passos para resolver uma tarefa. Bater claras em neve atĂ© o ponto firme Ă© algoritmo. “Se o molho ficar ralo demais, dissolva uma colher de maizena em ĂĄgua fria e devolva Ă  panela” tambĂ©m Ă©, com direito a condicional if, then e tudo. Uma fĂłrmula de regressĂŁo linear Ă© um algoritmo. Uma regra prĂĄtica do tipo “se vai sair de casa e o cĂ©u estĂĄ fechado, leva guarda-chuva” Ă© algoritmo. E o monstro de um trilhĂŁo de parĂąmetros que escreve textos respondendo a um prompt tambĂ©m.

Vale ter essa variedade em mente, porque de alguns anos para cĂĄ, “IA” virou um nome informal para uma parte muito especĂ­fica desses algoritmos — as LLMs, esses geradores de texto e cĂłdigo (e, esticando, de imagem e vĂ­deo). IA, em sentido prĂłprio, Ă© qualquer sistema que aprenda padrĂ”es a partir de dados. O detector de spam do seu e-mail Ă© IA. O modelo que recomenda sĂ©ries e filmes na Netflix Ă© IA, assim como o algoritmo que prevĂȘ risco de fuga sob fiança, que o capĂ­tulo vai dissecar em breve. IA nĂŁo Ă© sĂł o Claude — e mesmo dentro desse grupo hĂĄ diferenças entre o “modelo” (GPT, Gemini, etc.) e a interface (ChatGPT, Claude Code, etc.)

Sendo assim, o capítulo monta um espectro. De um lado, simplicidade extrema. Regras tão bobas que då vergonha de cobrar consultoria por elas. Do outro, complexidade extrema. Modelos de aprendizado de måquina que consomem milhÔes de tokens e detectam padrÔes que nenhum humano consegue enxergar. No meio, a média ponderada que jå tínhamos visto no capítulo 9. A tese do trio de autores é que todo esse espectro, do mais simples ao mais sofisticado, costuma ser melhor do que o julgamento humano. Por motivos diferentes em cada extremo, mas com um motivo compartilhado pelos dois, de que nenhum algoritmo tem ruído.

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