📙 Fale primeiro e ganhe a discussão
Resumo comentado de “Como o grupo amplifica o ruído”, capítulo 8 de “Ruído: Porque tomamos más decisões e como podemos evitá-lo”.
Já foi dito que a democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que já foram tentadas.
— Winston Churchill
Os capítulos anteriores trataram de ruídos individuais, como o juiz mais severo que colegas, o médico que muda de opinião à tarde, o avaliador que dorme mal. A intuição corporativa sugere que basta juntar várias dessas cabeças numa sala para o ruído se cancelar e o grupo chegar a algo melhor, o famoso brainstorm. Os autores chegam pela primeira vez em terreno explicitamente político neste capítulo e mostram que pensar em grupo amplifica o ruído em vez de cancelá-lo.
Matthew Salganik, sociólogo de Princeton, montou em 2006 um experimento famoso com Peter Dodds e Duncan Watts. Criaram um site com 72 músicas de bandas desconhecidas e nomes evocativos como “Best Mistakes” (os melhores erros), “I Am Error” (eu sou um erro) e “Wish Me Luck” (deseje-me sorte). Milhares de pessoas foram divididas aleatoriamente em nove grupos. No grupo de controle, cada um escutava as músicas e decidia o que baixar sem saber das escolhas alheias. Nos outros oito grupos, cada participante podia ver quantas vezes cada música havia sido baixada. Eles queriam saber se, rodando a mesma história oito vezes em paralelo com os mesmos ingredientes, o resultado se repetiria, como indica a lógica. A “boa música” deve sempre se sobressair, somos seres pensantes, ninguém manda em mim, você não é minha mãe, aquelas coisas.
Só que não. As paradas musicais divergiram radicalmente entre os oito grupos. “Best Mistakes” virou hit num e fiasco no outro. As piores músicas nunca chegaram ao topo e as melhores nunca fracassaram completamente, mas no meio quase tudo podia acontecer.




