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📙 Eu sempre soube que ia dar certo

Resumo comentado de “O vale do normal”, capítulo 12 de “Ruído: Porque tomamos más decisões e como podemos evitá-lo".

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crisdias
mai 24, 2026
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A estupidez das pessoas vem de ter resposta para tudo. A sabedoria do romance vem de fazer pergunta para tudo.
— Milan Kundera

Olha… este foi meu capítulo preferido até aqui, em um livro que, por outro lado, não tem me despertado fortes emoções, confesso. O Boa Noite Internet tem como slogan desde sempre “o podcast que tenta explicar o mundo através de histórias interessantes” (frase que meu revisor gramatical sempre avisa que está errada) e meio que é esse o assunto deste capítulo — não necessariamente como uma coisa boa. Mas a gente já chega lá.

Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass R. Sunstein abrem a conversa com uma pesquisa de Sara McLanahan e Matthew Salganik, publicada em 2020. Cento e doze cientistas convocaram 160 equipes para uma competição meio no estilo hackathon do mundo da programação, mas aqui o desafio era usar milhões de pontos de dados sobre cinco mil crianças, acompanhadas do nascimento aos quinze anos. Cada equipe deveria fazer seis previsões sobre as crianças: que notas tirariam, quanta “fibra” (uma medida de perseverança) teriam, se a família seria despejada de casa, se passariam por dificuldades materiais, se o cuidador principal seria demitido e se este entraria em algum treinamento profissional. A maioria das equipes usou aprendizado de máquina, a famosa IA, para encontrar padrões nesse oceano de dados.

Os modelos sofisticados venceram os simples por uma margem apertada. Para despejos, o melhor algoritmo acertou em 57% dos casos. Para a média escolar, mais previsível por ser uma medida agregada, foi possível chegar a 65% de acerto. Ainda assim, bem longe da perfeição, como vimos no capítulo passado, todo mundo parando bem perto do teto da ignorância objetiva. O resumo do próprio paper, assinado pelos 112 cientistas que participaram, chega a dizer:

Os pesquisadores devem conciliar a ideia de que compreendem as trajetórias de vida com o fato de que nenhuma previsão foi muito precisa.

Se você ouvir algum “ólogo” dizendo que sabe explicar por que uma pessoa tem uma vida com dificuldades, desconfie. Esta pessoa só está sofrendo da negação da ignorância que vimos no capítulo anterior.

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