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📙 Como salvar o mundo comprando uma Air Fryer

Resumo comentado de "E se você convocasse um protesto e todo mundo aparecesse?", capítulo 2 de "Realismo capitalista".

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crisdias
ago 07, 2026
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Transformaram nossa luta em produto, nosso dissenso em propriedade intelectual e puseram nossa revolução na televisão, com intervalos comerciais.
— Sam Esmail

Um desenho da Pixar consegue fazer crítica ao consumismo ou só nos deixar mais à vontade para consumir? Por que o capitalismo dispensa a propaganda de que o fascismo e o stalinismo precisavam? Estamos realmente protestando ou só fazendo o equivalente a dizer “parece que vai chover” no elevador? Depois de dar nome ao realismo capitalista, Mark Fisher vai atrás do anticapitalismo. Hollywood adora botar uma “corporação capitalista maligna” como vilã de filme, e ele quer saber que serviço esse gesto presta ao sistema que diz combater.

Mas olha… este é um capítulo curtinho (vamos ter vários nesse livro), um artigo gostosinho de ler de umas 1.400 palavras, menos de dez minutos de leitura, o famoso numa sentada (não disse onde). Se estiver com o livro à mão, vale ler o original e aí voltar para cá.

O exemplo de anticapitalismo escolhido por Fisher é Wall-E, da Disney/Pixar — talvez meu filme preferido do estúdio, assim como de muita gente. Nele, a Terra foi tão explorada que os humanos precisaram fugir, e a culpa é explicitamente do consumismo e da megacorporação Buy n Large. No exílio espacial, os sobreviventes são adultos infantilizados e obesos, grudados em telinhas, transportados em cadeiras flutuantes, sugando gosma de canudinho — um controle que se exerce pelo convite a interagir e participar, mais ou menos como o filósofo francês Jean Baudrillard entendia a comunicação. Puta crítica social foda. Creators de direita reclamaram que a Disney/Pixar estava atacando a própria plateia. Para Fisher, o ataque está lá mesmo e trabalha a favor do sistema, porque ironia desse tipo alimenta o realismo capitalista mais do que o ameaça. É o que o filósofo austríaco Robert Pfaller chama de interpassividade:

O filme performa nosso anticapitalismo para nós, nos autorizando assim a continuar consumindo impunemente.

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