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📙 Como repensar nossos planos de carreira (e de vida)

Resumo comentado de “Pense de novo”, capítulo 11: “Evitando a visão em túnel”

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crisdias
abr 06, 2026
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Uma indisposição surgiu algumas horas após minha chegada. Achei que encontrar um emprego poderia ajudar. No fim das contas, tenho muitos parentes no inferno e, com a ajuda dos meus contatos, me tornei assistente de um demônio que arranca dentes das pessoas. Não era um emprego de verdade, estava mais para um estágio. Porém, depois de um tempo, você começa a se perguntar: foi para isso que eu vim para cá, para ficar entregando tipos diferentes de alicates para um demônio?
— Jack Handey

O que você quer ser quando crescer? Todo adulto faz essa pergunta a qualquer criança que vê pela frente sem se dar conta do estrago. A pergunta parece inocente, mas a premissa é que existe uma resposta certa, que essa resposta vai definir quem a criança é e que, uma vez encontrada, o assunto está encerrado.

“Acho que essa é uma das perguntas mais inúteis que os adultos fazem a crianças”, escreveu Michelle Obama. “O que você quer ser quando crescer? Como se crescer fosse finito. Como se você fosse se tornar algo em determinado momento, e fim da história.”

O primo de Adam Grant, Ryan, tinha a resposta pronta desde o jardim de infância. Seria médico. Neurocirurgião, mais especificamente. A família de imigrantes russos vinha de avós operários que entregavam leite de madrugada para complementar a renda. Nenhum dos filhos nem os oito primeiros netos quiseram fazer medicina. Ryan, o nono, pegou para si a missão. Ele era disciplinado, e a ideia de ajudar pessoas o deixava animado de verdade. Em cada dúvida no caminho — como quando cogitou estudar economia ou quando pensou em abrir uma empresa de saúde — engoliu a dúvida e repetiu para si mesmo: preciso continuar no caminho certo. Ou, na minha versão dessa frase, “é isso que adultos fazem”.

Dezesseis anos depois, entre residência, especialização e dívidas estudantis que continuava pagando na casa dos 30, Ryan diz que faria tudo diferente se pudesse voltar atrás. Ele ainda gosta de cuidar de pacientes, mas a burocracia e a carga horária destruíram seu entusiasmo. O sonho de infância se realizou. A pergunta é se o sonho ainda fazia sentido para quem ele se tornou.

A escalada

Quando nos dedicamos a um plano e ele não acontece como o esperado, dificilmente nosso primeiro instinto é repensá-lo. Na verdade, tendemos a teimar e investir mais recursos nele. Esse comportamento se chama escalada do compromisso.

Este padrão aparece em muitos lugares. Empreendedores insistem em estratégias fracassadas, gerentes-gerais da NBA continuam dando tempo de jogo a jogadores caros que não rendem, políticos mandam mais soldados para guerras que não deveriam ter começado. Os custos irrecuperáveis pesam, mas as causas mais importantes são psicológicas, porque precisamos justificar o que já decidimos para proteger a imagem que temos de nós mesmos.

A tenacidade — a famosa grit que Angela Duckworth, psicóloga da Penn, popularizou no TED como uma mistura de paixão com perseverança — tem um lado que os defensores do conceito não costumam mostrar. Pesquisas mostram que pessoas tenazes tendem a passar mais tempo apostando em jogos de azar quando deveriam parar, insistem em tarefas impossíveis e, no caso de alpinistas, têm mais probabilidade de morrer em expedições porque se recusam a desistir do cume.

Cada cadáver congelado no Everest é de uma pessoa que não desistiu do seu sonho. Chris Kayes, professor de gestão da Universidade George Washington, estava no Himalaia em maio de 1996 quando uma nevasca matou oito alpinistas que haviam chegado ao topo e já estavam na descida. Ao estudar o desastre, Kayes descobriu que quanto mais as coisas pioravam na montanha, mais determinados os escaladores ficavam, e cunhou o termo metodiceia para descrever essa fé inabalável na meta. Contei essa história em um episódio de 2023 do podcast. Às vezes, o melhor tipo de tenacidade é botar o rabicó entre as pernas e dar meia-volta.

Objetivos e metas

crisdias
·
October 1, 2023
Objetivos e metas

Às vezes vemos sinais de que deveríamos desistir de uma empreitada. Em vez disso, nos agarramos mais ainda ao objetivos, com as dificuldades só servindo para reforçar a fé não em uma força divina, mas de que somos capazes de cumprir o objetivo. Como se o motivo de fazer algo fosse o objetivo em si.

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