📙 Como ensinar estudantes a questionar o conhecimento
Resumo comentado de “Pense de novo”, capítulo 9: “Reescrevendo o livro-texto”
Não permiti que nenhuma escola interferisse na minha educação.
— Grant Allen
Uma professora distribui de propósito um livro didático cheio de erros. Um professor pede que crianças de 6 anos refaçam o mesmo desenho até ficarem satisfeitas. E uma pesquisa mostra que quanto melhor o professor fala, menos os alunos aprendem. O capítulo 9 trata de educação, mas do tipo que ensina a questionar o próprio conhecimento em vez de apenas absorvê-lo.
Erin McCarthy dá aula de estudos sociais na região de Milwaukee, Wisconsin. Em 2020, ganhou o prêmio de Professora do Ano do estado. Um dia, um aluno do oitavo ano reclamou que o livro didático de história estava errado. Para muitos professores, esse tipo de coisa seria um pesadelo. Mas McCarthy tinha passado aquela leitura de propósito — o trecho era de um material de 1940. Ela coleciona livros de história antigos porque gosta de ver como as narrativas mudam com o tempo.
A reação dos alunos se dividiu. Alguns simplesmente aceitaram o que leram, como estavam acostumados a fazer depois de anos sendo ensinados que livros didáticos contêm a verdade. Outros ficaram horrorizados com os erros e omissões. McCarthy queria que os alunos percebessem sozinhos quais narrativas eram incluídas, quais eram excluídas, e o que se perde quando apenas uma perspectiva é contada.
Numa segunda atividade, McCarthy escreveu sua própria seção do livro didático sobre a expansão para o Oeste dos EUA — só que todas as protagonistas eram mulheres, todos os pronomes femininos. Quando um aluno levantou a mão para dizer que não havia meninos, ela respondeu que havia sim, “eles só não fazem nada de relevante”. E, de repente, o aluno entendeu como um grupo inteiro se sentiu ao ser marginalizado por séculos.
O problema das aulas brilhantes
Em um experimento com alunos de física, dois grupos tiveram acesso ao mesmo conteúdo, com professores igualmente bem avaliados. A única diferença era o método. Um grupo teve aula expositiva, o outro, metodologia ativa (resolver problemas em grupo, com o professor fazendo perguntas e dando dicas). Todo mundo preferiu a aula expositiva e todo mundo classificou o professor expositivo como mais eficiente. Mas, nas provas, quem aprendeu mais foi o grupo da metodologia ativa.




