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📙 Como diminuir preconceitos ao desestabilizar estereótipos

Resumo comentado de “Pense de novo”, capítulo 6: “Intrigas no meio de campo”

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crisdias
mar 20, 2026
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Eu odiava o Yankees com todas as minhas forças, chegando a confessar, antes da minha primeira comunhão, que eu desejava mal aos outros: eu desejava que vários jogadores do time quebrassem braços, pernas e tornozelos…
— Doris Kearns Goodwin

Em 1983, Daryl Davis tocava piano em uma casa noturna de Maryland quando um homem branco e mais velho veio elogiá-lo, dizendo-se chocado por ver um negro tocar como Jerry Lee Lewis (que, veja só, era amigo de Davis). Os dois beberam juntos, e em algum momento o sujeito admitiu que nunca havia sentado com um negro antes. Era membro da Ku Klux Klan, organização supremacista branca estadunidense que existe desde 1865 e tem um histórico de linchamentos, incêndios e terrorismo racial.

A reação mais compreensível do mundo seria levantar e ir embora. Como diz aquele meme: “se em uma mesa com 9 pessoas sentam 1 nazista e ninguém levanta, há 10 nazistas na mesa.” Davis fez o oposto: sentou, ficou e caiu na gargalhada. E fez uma pergunta que carregava desde os 10 anos, quando espectadores brancos jogaram latas e pedras nele durante um desfile dos escoteiros.

“Como vocês podem me odiar sem nem me conhecer?”

No fim da noite, o membro da KKK deixou seu telefone. Meses depois, já era amigo de Davis. E, com o tempo, abandonou a organização. Desde então, Davis convenceu mais de 200 supremacistas brancos a entregar seus mantos e capuzes. Mas Adam Grant não começa o capítulo por aí — vai de beisebol.

Esporte e ódio

“Yankees lixo! Yankees lixo!” Grant conta que ouviu 37 mil torcedores do Boston Red Sox gritando contra o New York Yankees em perfeita harmonia. O problema é que o Yankees não estava lá, o time da casa jogava contra o Oakland A’s. (O livro traduz como “Yankees lixo”, mas o original é Yankees suck — mais perto de “chupa Yankees”, sentimento que em Boston rende uma indústria própria de camisetas).

Eu nunca entendi esse comportamento, me sinto um alien no mundo das torcidas de futebol. Antes da pandemia, meus vizinhos gritavam mais na janela em jogos de futebol — 2020 é o ano que nunca acabou e até isso mudou, mas enfim. Estou em um bairro perto do Palmeiras, e muitas vezes, quando o time fazia gol, o grito não era de celebração, era “chupa gambá”, xingando o Corinthians. Lembrei de outra. Um amigo carioca, obviamente flamenguista, costumava dizer: “Se o jogo for Argentina x Vasco, eu torço pela Argentina.” Até o ódio tem prioridades.

Quando pessoas têm preconceito contra um grupo rival, com frequência estão dispostas a fazer de tudo para elevar a própria classe e minar o inimigo — mesmo que isso signifique machucar alguém ou agir de forma errada.

Não é papo de estudo acadêmico. Na final do Campeonato Mineiro de 2026, jogadores e comissões técnicas de Cruzeiro e Atlético-MG partiram para socos, chutes e voadoras — 23 expulsões, repercussão mundial, o jogo em si meio que virou detalhe.

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