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📙 A planilha realmente prevĂȘ melhor que eu e vocĂȘ

Resumo comentado de “Julgamentos e modelos”, capĂ­tulo 9 de “RuĂ­do: Porque tomamos mĂĄs decisĂ”es e como podemos evitĂĄ-lo”.

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crisdias
mai 17, 2026
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Então ele refletiu que a realidade geralmente não costuma coincidir com as previsÔes.
— Jorge Luis Borges

Começa aqui a Parte III de RuĂ­do, onde conversaremos sobre julgamento preditivo: o palpite que alguĂ©m dĂĄ hoje sobre algo que sĂł vai se confirmar (ou nĂŁo) depois. As partes anteriores mediram ruĂ­do olhando para julgamentos avaliativos do tipo dar uma sentença justa, ou qual seria a indenização adequada. Agora o terreno Ă© o das previsĂ”es. Quem vai ser bom funcionĂĄrio, quem vai reincidir no crime, quem vai responder bem ao tratamento. A vantagem Ă© que aqui o tempo julga. Basta esperar alguns anos, comparar a previsĂŁo com o que de fato aconteceu, e o resultado sai. E
 o especialista costuma sair mal quando ele chega.

Imagine receber a ficha de duas candidatas a cargo executivo, Monica e Nathalie, com notas de 1 a 10 em liderança, comunicação, habilidades interpessoais, técnicas e motivação.

VocĂȘ bate o olho na tabela, calcula uma mĂ©dia mental e crava Nathalie como a mais forte, com vantagem de um ou dois pontos. O 10 redondo dela em comunicação chama a atenção, e as notas altas em liderança e habilidades interpessoais seguram o caso, mesmo com motivação e parte tĂ©cnica mais fracas do que as de Monica. Pronto, acabamos de fazer aquilo que o livro chama de julgamento clĂ­nico, o nome chique para “consultei minha intuição” — ou DataCuℱ —, que vem sendo chamado nos capĂ­tulos anteriores apenas de julgamento.

Este exemplo saiu de um estudo real com 847 candidatos a cargo executivo de uma firma internacional de consultoria. Psicólogos com doutorado avaliaram a base inteira e, anos depois, alguém comparou suas previsÔes com o desempenho real dos contratados. Quando o psicólogo cravava A como melhor que B, a chance de A acabar com avaliação melhor que B era de 55%. Pouco acima de cara ou coroa.

A mesma base, jogada numa fĂłrmula estatĂ­stica trivial de mĂ©dia ponderada — regressĂŁo mĂșltipla, mas dĂĄ para pensar como “atribua peso fixo a cada nota e faça a soma” —, chegou a 60%. Algo como peso 3 para liderança, 2 para motivação, 1 para comunicação, e por aĂ­ vai (e atĂ© pesos negativos para coisas que jogam contra, como multas de trĂąnsito nĂŁo pagas). Nada espetacular. E, ainda assim, com melhores resultados do que o doutor.

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